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Passos
Estranhos
Ao meu lado,
Vidas distantes,
Longes do mundo,
Convencionado normal,
Som que vem de longe
Do meio da floresta
Nessa noite fria,
Em que meus passos
Por algum motivo
Que desconheço,
Não se perdem,
Névoa inebriante
De saudade esquecida
Não há o que temer,
Nem os trovões,
Nem os calafrios
Nem a vida...
Que é assim mesmo:
Segue sem rumo!


Quando algo começa
Pode-se ter certeza
Que terá um fim
Eternidade,
Por enquanto é mentira
Saber disso
Pode dar a impressão
De que os finais
Serão menos dolorosos,
Mas, quando algo
Que parecia
Que nunca acabaria
Simplesmente se finda,
Como se nunca
Tivesse existido,
Um gosto amargo
De pra sempre
Perdido,
Fica na alma,
Felizmente,
Isso também,
Parece nunca ter fim...


A espera
Foi edificante
Cada inverno
Cada geada
Cada seca
Às quais resistimos
Nos fizeram mais fortes,
Teu sorriso
Está radiante,
Saímos da escuridão
Perdemos
Um pouco do medo,
De sermos vistos,
Estás linda
Como nunca
Tons suaves
De pureza
E resistência
Cores vivas
De lutas vencidas,
De batalhas
Que nunca terminam...


Florzinha tão meiga
Visão de eternidade
Perfume sofisticado
De pura simplicidade
Foi tirada do vaso,
Sua terra segura,
Resistiu ao sol
E areia quente
Por algum tempo,
A maré inevitável
Queimou sem piedade
Raízes tão nobres...
E o vento levou
Para muito longe
No tempo
Seu inebriante perfume
De tempo perdido
Até a memória
Está desbotada


Chegou alguém...
Por algum tempo
Não estarei mais só
Precisei da ajuda
Das tuas mãos
Para sair,
Do sombrio poço
Em que me afogava,
É bom estar
Novamente na claridade
Em tão boa companhia,
Embora sejam apenas
Alguns instantes
São momentos raros
Em que estou sendo feliz,
Posso ver teus olhos,
Sentir tuas mãos,
Que me salvaram
Temporariamente
Da escuridão,
Infelizmente,
Estás de partida... 


A tristeza chega
Sem que se perceba,
Enovela-se com a alma
Da qual já é companheira,
Quando se pensa
É mais fácil ser triste,
Quase impossível não ser
Basta uma imagem
Basta uma palavra
Basta um gesto
Para que o pensamento
Coloque tudo a perder
O sorriso,
Também é triste
O que mais nos resta?
Em épocas como essa
Em que a tristeza
É quase desespero
Só nos resta o sorriso
Não por falisidade ou cinismo
Nem por se ter esperança
Mas por não restar mais nada...
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Pronto!
Cheguei ao fim
De mais um dia
Com esse já são 8222
Fiquei o dia inteiro
Esperando somente
Que as horas passassem,
E com elas o pesadelo
Que eu sei
Que vai voltar,
Sem ao menos
Ter ido embora,
Com o número 8223,
Querendo me dizer algo,
Que eu não vou compreender,
Ainda não estou pronto
Para as respostas
O tempo é de perguntas
Inquietações
Ideais
Angústias...


Gostaria de saber lutar
Quando a derrota é certa
O inimigo é mais forte
Ninguém torce por mim
Ninguém me ajuda...
Vão sentir pena de mim,
Quando eu perder,
Para que eu seja
Ainda mais humilhado...
Nem mesmo iriam notar
Se acaso eu vencesse
Ninguém me olharia nos olhos,
Seria mais marginalizado ainda...
Não tenho um reino
Não tenho um cavalo
Minha princesa
Morreu de fome
Quando era pequena,
Não quero ser um vencedor
Se tiver que ser um deles...
Não quero nem pisar no castelo
Para que não sinta
Vontade de destruí-lo...


Como é bom
Ver teu sorriso novamente!
Ainda tímido,
Pois ainda não sabes
Que o céu continua azul
E o sol, ainda está lá...
O amadurecimento forçado
Que a vida nos ofereceu
Me tornou capaz
De ser feliz
Ao ver sorrisos
Nos rostos
De quem às vezes
Eu nem conheço
Nem sempre foi assim...
Como é bom crescer
Nesse sentido!
O choro não mais importa,
Até que foi importante,
Pois o sorriso agora
É mais acanhado
Mas muito mais firme...


Meu  único refúgio,
E ponto de referência
Para mim mesmo,
Está bem longe,
O silêncio às vezes é bom
Às vezes é interrompido
Pela "pressa",
E o som vai ficando...
E vai ficando cada vez melhor
Lá, nunca estou sozinho,
Tenho sempre comigo
A certeza de que
Meu próprio eco
É um sinal, um aviso
De que alguém,
Sempre estará comigo...
Nem sempre o vejo,
Ele sempre está
Na beira do lago,
E sorri quando me vê
Pois sabe que também
Não está sozinho,
No fundo da minha alma!


Queria ver teu rosto
Antes de partir
A caminhada vai ser longa
Queria ir lembrando
Que estou deixando para trás
Algo que me força
A querer voltar
Nem que fosse somente
Para te ver de novo
Nem que não lembres
Mais de mim,
Para ouvir a tua voz
Novamente,
Que me faz lembrar
De alguém
Que na verdade
Acho que nunca existiu
Mas me faz bem


Teu amigo
É aquele
Que está sempre contigo
E não faz acusações
Quando a decisão dele
Era a certa,
E os dois agora
Sofrem juntos...
Teu amigo
É aquele
Que vai junto contigo
Até o fundo do poço
E te faz rir
Por ver graça na queda;
E que no escuro
Toca em teu ombro
E diz que a caminhada
Deve parar
Antes que se chegue
Onde não se deve ir
Porque não se deve mexer
Com os segredos da alma!


Quando as perguntas
Não tem mais respostas
Ou quando têm,
Não se consegue crer...
Quando tudo
Parace ser mentira
A solidão bate forte
Tudo é escuro
Tudo é silêncio
Não se pode mais
Pedir por socorro
Pois a mão
Que vai se estender
Pode não ser amiga
Ou pode apenas
Negar-se à ajuda...
Quando tudo
É indiferença
Deve se desconfiar
Do silêncio
Pois em breve
Tudo será maldade!


Não sei mais,
Se é loucura
Ou poesia,
Se o peso que sinto,
Sei que é o peso
Do mundo,
Mas não sei se é
Porque me preocupo com ele,
Ou porque me deixaram
Do lado de fora,
Nem sei mais,
Se loucura e poesia
Podem estar disjuntas,
Gostaria de saber
Quem sou,
Porque sinto esse peso?
Afinal de contas,
Quem colocaria
Tal peso nas costas?
Um louco?
Um poeta?


De repente
Me senti sozinho...
Caminhando entre fantasmas
Como se eles
Realmente existissem...
Mas não, eles não existem
Eles afundam
Junto com os seus navios
Agora me sinto
Como um "afundador" de navios,
Tinha um do meu lado
Que há tempo estava ali
Descuidei dele
Por alguns instantes,
observando outrso naufrágios,
Sem perceber
Que o meu companheiro
Afundava também
E a culpa foi minha
Quem os põe a pique
Sei que sou eu
E sei
Que eu não consigo ir junto! 


Não sei quais são os teus sonhos,
Não sei se já os sonhei também...
Não sei quais são teus medos
E se forem os mesmos
Que eu tenho também?
Quem vai ajudar quem/
Qual de nós
Vai ser tão forte
A ponto de chorar
Sem que o outro veja,
E vai poder rir
Do choro do outro
Até que aquele de nós
Que estava chorando
Comece a rir também?
Não sei como é a tua vida
Se estava tudo tão bem
Que eu cheguei e estraguei
Ou, se de alguma forma
Tive que fingir que sou forte
Para que sorrisses também...
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Há um limite muito estreito
Entre a consciência
E a loucura,
Há um espaço vazio
Entre a consciência da loucura
E a loucura da consciência,
Não há diferença
Entre a consciência da normalidade
E a inconsciência da loucura
Somente os loucos são livres
Se assim o quiserem
Ninguém pode saber onde está,
Quando está pensando,
Pode se estar passeando
Pelo mundo criado num instante
Ou rindo, de alguma coisa engraçada
Que para os que
Se consideram normais
Precisa ter,
De forma concreta e indiscutível
Ter acontecido...


O erro
Pode ser descoberto
Depois de algum tempo
Se o que deveria
Ter dado certo
Simplesmente,
Deu errado
Mesmo assim,
Leva-se algum tempo
Para se admitir
Que nem sempre
Acontece
O que deveria,
O consolo
É que se aprende
Não a não mais errar
Mas a se acostumar
Com a idéia
De que se pode errar,
E que, quem está rindo
É tão perfeito
Quanto se pode ser!


Teu corpo navega
Suavemente na brisa
Andas com a mesma
Força e determinação
De quem vai à frente
No campo de batalha,
Somente com a espada,
O escudo ficou para trás,
Já não importa
A segurança total,
Alguém tinha que ir...
É preciso ter medo
Para poder vencê-lo,
Teu pior inimigo
Pode estar onde não esperas
Pois, se tiveres medo
De não ser forte
A todo momento
Tua fortaleza estará intacta
E tu continuarás lutando
Com inimigos que não vences
E que não podem fugir


Quem poderia
Ser tão nobre
Para merecer,
Uma lágrima tua?
Que teu coração
Batesse descompassado
Por estar sofrendo
Por um amor
Tão puro,
Tão raro...

Quem poderia
Ser tão tolo
Para causar,
Uma lágrima tua?
Que teus olhos
Brilhassem confusos
Na escuridão
Como se tivessem
Perdido alguma coisa
Além de lágrimas...



O que seria do mundo
Se todos obedecessem
Leis tão banais
Como não pisar na grama?

O que seria do mundo
Se ninguém obedecesse
Leis tão absurdas
Como impostos tão injustos?

Seria mais belo?
Seria mais justo?
Seria apenas o começo...



Após passar
Por uma terrível tempestade
O navio chegou ao porto
Todos tiveram medo,
Todos choraram
Mas, tudo passou
Todos sobreviveram
Todos ficaram felizes
Por não terem naufragado
Todos agradeceram a Deus
Pelo final feliz
Todos se abraçaram,
Ali mesmo no porto,
Embora nem se conhecessem,
Houve grande alegria
Foi uma cena
Inesquecível
Que nunca aconteceria
Se o barco
Naufragasse
Ou nunca tivesse passado
Pela tempestade


Não me olhes assim
Desse jeito,
Não quero me apaixonar
Novamente
Tu não me conheces,
Eu aprendi
A tentar evitar os erros,
Mas,
Esse olhar,
Esse  sorriso inocente,
Se soubesses quem sou
Nunca deixarias
Nossos olhares
Se cruzarem
Nossas mãos
Se tocarem,
Não me procures mais
Não iria dar certo
Não quero dar-te tempo
Para que me conheças
E lastimes pelo erro!


Tudo voltou ao normal
Eu sempre soube
Que seria apenas
Uma questão de tempo,
Para trancarem
O portão do castelo,
Com os doentes
Do lado de fora,
Sei que estás lá dentro,
Mas não sofres por mim
Sei que nem deves mais
Saber quem eu sou
Sei que não tens culpa
Pois todos estão
Lá dentro
Te distraindo
Te distanciando,
Provavelmente,
De ti mesma
Te fazendo andar nas nuvens
Que eu não posso te dar!


Fragilidade no olhar,
Até mesmo o sorriso,
Soa como tristeza,
Aspereza na fala,
Força apenas na alma,
Para a vida
Não ser tão cansativa
É preciso correr
Como um relâmpago sem luz,
Rumo ao infinito
O que se conhece,
Não tem importância
É preciso ir mais longe
É preciso ir mais fundo,
O que não se conhece
Está dentro do nada,
Nessa viagem (fuga)
Levo apenas
Um peso nos ombros,
Uma dor na consciência
De uma única culpa...
Só uma...


Ninguém pode ficar
Doente para sempre,
Há muitos remédios
Para a mesma doença,
O tempo é muito eficaz
Para cicatrizar feridas,
Até mesmo as da alma,
Que são as piores
Que dão medo da morte
Que dão medo da vida,
Mas até elas fecham
As marcas são para sempre
O que muda
É o modo de vê-las
Podem se parecer
Com marcas de batalha
Troféus de vitória,
Troféus de derrota,
Ou simples máculas
Que aconteceram
Por puro descuido
Ou pelo risco que se corre...
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Quanto mistério
Há dentro de cada ser humano...
Quantos medos
Nos fazem ficar à espreita
Somente observando o que acontece
Até que tudo passe,
Quantas vergonhas
Escondidas nos porões mais profundos
Trancados, para que nem nós
Possamos vê-las,
Quantos desejos
Escondidos atrás de sorrisos
E olhares distantes,
Quanto orgulho
Por trás de piedade...
Atrás de cada rosto
Há um mundo diferente,
De tudo o que existe
Em cada universo particular
Só se pode conhecer
O que convém
Ao dono do esconderijo


Ainda não tomei coragem
Para ir lá fora
Para poder ver
Se realmente,
Ela morreu,
Estava no jardim,
Tão bela,
Uma flor que plantei
Com tanto cuidado...
Sobreviveu a muitos invernos
Mas não a este
Que nem estava tão frio...
Ainda não tenho certeza,
Olhei pela janela
Hoje de manhã,
Acho que estava morta,
Agora já é quase noite
Não quero ir lá fora
Hoje eu não quero chorar
Não quero ter certeza,
Eu que tinha tanta certeza
Que dessa vez, seria para sempre...


Se alguém perguntar
Diga que estou bem,
Pode não ser verdade,
Mas vão gostar
De ouvir isso,
Não diga onde estou
Nem eu poderia,
Só sei que
Estou de partida
Só vou me despedir de você
Meu único porto
Minha única referência
Mesmo se não quiser
Que seja assim
Bem, estou indo...
Certamente voltarei
Quando?
Não posso dizer
Não vivo de datas
Não quero certezas
Mesmo que isso
Venha a me contradizer


Perder-me na distância
Ir para um lugar
Onde ninguém me procurasse,
Onde a minha tristeza
Não fosse motivo
De desconfianças
As lágrimas,
Não precisariam
Ser escondidas
A não ser de mim mesmo
Perder-me no tempo
Pelo tempo
Que fosse preciso,
Voltando após passar a dor
Até me acostumar
A ficar lá...
Perdido para sempre,
Sabendo onde estou
Somente pelo fato
De saber que estou
Onde a dor não me alcança
E só posso ter medo
Do vento...


A única vez que perdestes
Foi para ti mesmo
Não preciso ouvir isso de ti
Mas, somos muito iguais
Não sei dizer
Se te orgulhas disso
Também sou assim,
A raíz não morreu
A árvore está forte
Buscando ideais
Cada vez mais altos
Sem se importar
Com o fogo
Ou a geada
Fortalecendo-se
A cada inverno
Como se fosse
Uma vingança
A quem ousa
Zombar da gente,
Fico muito infeliz
Nas primaveras,
Pois fica muito fácil
Manter-se vivo


Não é justo
Que uma pessoa
Entre em nossa vida
E comece
A mudar tudo,
A incorporar
Nossos hábitos
Nossas verdades
Nossas mentiras,
Que faça com que
Nossos medos
Sejam vergonhosos,
Que não se possa
Ser sempre autêntico,
Fazer o que sempre fazia,
Alterando todo um passado...
Isso é, certamente,
Uma forma de egoísmo
Mas, quem chegou agora
Não tem o direito,
De ir dando chutes
Nos nossos castelos de areia


Acho que nunca
Vais saber disso...
Que fostes a causa
Do meu único arrependimento
Até agora,
Só senti uma vez
Essa vontade
De voltar atrás
Para consertar algo
Que julguei ser merecedor
De correção
Mas, até então
Era um arrependimento
Meio egoísta
Até que notei
Tua fragilidade,
A inocência
De um olhar
De tempos passados
 De onde a eternidade
Transformou-se em distância...


Lamento profundamente
O dia em que vi
Teus olhos se ofuscarem,
Perderem o brilho
Que traduziam tua alegria,
Para depois
Brilharem novamente,
Um brilho triste
Como o último raio de sol,
De um dia de inverno,
Fico me perguntando
Se naquele instante
Em que nossos olhares
Se desviaram para sempre
Tu tambem fizestes isso
Para esconder
Uma lágrima,
A minha ainda hoje
Está no meu rosto
Queimando por onde passa
Tornando a dor insuportável!


Tenho meus próprios sentimentos
Que nem sempre,
São assim tão nobres...
Tenho meus próprios medos
Que são comuns à muita gente
Mas, não tenho medo de admití-los...
Tenho meus próprios gostos
Seria um absurdo
Impô-los ou expô-los aos outros...
Tenho minhas próprias idéias
Que nem sempre
Fazem muito sentido
Tenho meus próprios julgamentos
A respeito de mim mesmo
Os quais não estendo a ninguém
Tenho minhas próprias vontades
Que às vezes são um pouco fracas
Bem melhor, que sempre fortes
Tenho meus próprios sonhos
Que podem um dia
Tornar-se realidade
Tenho meus próprios segredos
Que...


Gostaria de dizer
Que não és mais minha amiga,
Após tanto tempo,
Tão pouco medo
Do arrependimento
Por ter compartilhado
Sentimentos tão puros
Idéias tão absurdas
Fatos tão secretos...
Não posso te considerar
Apenas uma amiga,
Após tanto tempo
Posso te dizer
Que não preciso de amigos,
Mas de companheiros de viagem,
Dessa que estamos fazendo,
Espero não ser
O passageiro chato
Que sentou-se ao lado
De alguém tão especial
Tendo uma viagem agradável
Em detrimento da tua!
topo     70


Numa reflexão,
Embora tardia,
Vim eu a te dar razão,
Do meu egoísmo
Que nos desuniu
E nos fez
Chegar a um acordo
Precipitado
Quando foste embora
Levastes tudo
Não fiquei com nada
De tudo aquilo
De que eu tanto gostava
Perdi tudo o que eu tinha
Quando um dia
Nossos rumos,
Se separaram,
E agora?
Não tenho mais nada
Lembrança não conta,
Saudade também
Lágrimas também não...


Gostaria muito
Que me desculpasses
Por ter estragado teu dia
Gostaria muito
De ter certeza
De que não estraguei tua vida
De que o tempo
Que passamos juntos
Não foi somente
Perda de tempo,
Perde-se muito tempo na vida
Mas, se realmente
Foi tempo perdido,
Gostaria muito,
De que o tempo
Que te fiz perder
Não fosse motivo
De um arrependimento
Muito profundo
De uma amargura
Tão forte
Que te faça me odiar


Aos poucos
Fui tomando coragem
Para voltar ao lugar
Que até hoje me assusta,
Fui chegando aos poucos,
O dia estava nascendo
O capim estava molhado
Estava um pouco frio
Pois estava ventando,
Lá estava ele...
O mesmo fundo e sombrio poço
Do qual quase não consegui sair
Há algum tempo,
Fui descendo aos poucos,
Pelas mesmas fendas
Que utilizei para sair
Cheguei ao fundo em pouco tempo
Me senti um pouco em casa
Somente quem já esteve aqui
Pode se sentir assim...
E pode, se quiser
Subir para a luz novamente!


Antes de dormir
Certifico-me que a porta
Esteja aberta
Para que possas entrar
E rir da minha cara assustada
E me dizer que estou louco
Que foi tudo um sonho
Nada aconteceu,
Que eu não fui embora
Na pior ocasião possível,
Que nossas vidas
Não se separaram
Para sempre,
Naquele instante,
E se tudo for verdade...
Quero acordar e fechar a porta,
Pois nunca mais
Vais entrar por ela...
E me desesperar
Por ter sido tão cego
Para ter te tornado,
Apenas um sonho!


Quando a vida ía perdendo a graça
Você apareceu
Com um sorriso lindo, num rosto perfeito
Nossos risos
Ainda ecoam na memória quando estou sozinho
Ríamos de tudo
Nas ocasiões alegres, mais ainda nas tristes
Nada nos preocupava
Tudo o que não estava bem, logo ficaria
Mas, não pudemos rir
No momento da despedida definitiva
Justo agora
Que a vida ía tomando forma
De que nunca mais
Ía perder sequer um pouco de graça
Meu anjo se foi...
Não me segurou na queda repentina
Não vai voltar
E se voltar, com o mesmo sorriso
Dos tempos felizes
Não vai me encontrar, pois saí por aí...
Com meus velhos amigos
Meus fantasmas de sempre!


Nós

Todos escravos
Com um pouco de liberdade
Que na verdade é ilusória
Escravos do poder humano
Que sempre é podre...
Não temos nem a liberdade
De sentir seu cheiro horrível,
Escravos de nós mesmos
Com a alma
Presa em algo,
No metal,
Na vida, ou medo da morte...
Nas realizações,
Nos sonhos
Na própria loucura
Que é uma forma
De liberdade ainda,
Mas todos,
Com alma
Que mesmo sem sabermos
Ansia por ver quebradas
Todas as amarras



O que é o tempo,
Para que
Nos separe tanto?
O que é a distância,
Para que,
Nos deixe tão longe?
O que é o amor?
Para que
Nos una tanto!
Não tenho medo
Dessa nossa distância
Tenho muito medo do tempo...
Desse nosso
Tempo perdido...
Quem é você?
Para que tenha
Me transformado tanto,
Em tão pouco tempo?
E tenha feito
Uma distância
Importar tanto...


O vento
Bate forte no rosto
À beira do precipício...
Mesmo se estivesse
Prestes a cair
Continuaria feliz,
Como se estivesse
À beira de um lindo lago
A observar nossa imagem
Como se não pudesse
Olhar para ti
Sem que
Também me visse,
Onde quero
Sempre estar...


Cheguei em casa
Um pouco tonto,
Vim andando
Pelo parque,
Sozinho,
Estava tudo
Tão triste...
Não quis sentar
Num banco,
Ou numa sombra qualquer
Preferi caminhar
Pois caminhando,
A angústia é menor
A ausência não é tão doída
A saudade não é tão forte
Esse ir,
Para não se sabe onde
Faz parecer
Que se tem rumo,
Faz sonhar novamente
Que os caminhos
Não serão solitários...


Agora,
Não tem mais volta
Fui capturado
Pelo teu olhar,
Teu perfume
Embriagou minha alma,
Tua imagem
Tomou conta
Da minha mente,
Teus lábios
Tiraram meu fôlego
Tua inocência
Fez minha razão
Se perder,
Por amor...
Agora,
Não adianta voltar
A magia aconteceu
E a minha vida
Precisa da tua
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Se eu não conseguir
Chegar a tempo
De comemorar a vitória,
Se o caminho
For tão difícil
Que eu tenha
Que ir mais devagar,
E ficar para trás,
Se eu não conseguir
Chegar a tempo
De ser considerado
Um dos vencedores,
Mesmo assim,
Ficarei feliz
Pelos que venceram,
Não considero que a vida
Seja uma disputa
Mas sempre há
Aqueles que vencem
E no dia da festa
Mesmo que chegue a tempo
Talvez eu fique
Do lado de fora!


Não escolho palavras
Que rimem com outra
De uma ou duas
Linhas acima
Não escrevo poemas
Para serem recitados
Nem para serem lidos
Sem que se sinta algo
Que sufoque,
E tire o fôlego...


Não sei
Por quais caminhos
Tens andado,
Desde que nos separamos,
Meu caminho
Tem sido solitário
Sinto-me
Como um andarilho
Que foge das pessoas,
Tenho andado meio tonto,
Em conseqüencia
Da maldição
A que estou sujeito,
A que fui sumetido,
Quando perdi teu amor
Não sabia,
Que tinha perdido tanto...
Tenho andado
Meio com medo
De que essa tontura
Que às vezes me cega
Seja a vida se esvaindo


Tudo o que eu tenho
Parece tão pouco
Mas, para mim
O pouco que eu tenho
É tão importante
Que tenho certeza
Que já tenho muito!

Antes de mais nada,
O que vale a pena na vida?
Só encontro uma resposta
Para mim,
A única coisa
Que faz a vida ter sentido
São os amigos,
Que são da vida
As maiores
Tristezas
E alegrias



De nada adianta desesperar-se
A chuva não vai parar,
O frio não diminuirá,
Os trovões não se calarão,
Tão cedo...
De nada adianta
Olhar para a lama
Que nos suja os pés,
E sentirmos pena de nós mesmos;
A noite vai chegar
O caminho,
Vai ficar mais difícil
Mas,
Amanhã
A caminhada vai prosseguir
Talvez com chuva,
Talvez com sol
Que pode tornar
A viagem mais agradável
Ou nos castigar
Com raios
Impiedosos


O que eu tenho feito
Neste mundo?
Às vezes acho que sou apenas
Um espectador
De toda a crueldade
E imoralidade
Que acontece por aí;
O mal do povo
É a esperança
Eu gostaria que todo mundo
Perdesse a esperança
E lutassem
Mesmo que em vão
Para que suas pretensões
Tivessem
Um pouco de chance
De acontecerem...
E que passassem a ter
Esperanças
Em suas forças
E não
Na bondade dos outros...


Vejo a vida
Como se fosse uma ponte
Que se está atravessando
Tendo-se certeza
De que não se chegará
Ao outro lado

Ninguém pode saber
Em que momento
Pisará numa tábua podre,
Que perderá a firmeza
Que outrora seus pés sentiam

Também não se pode saber
Em qual queda
Não haverá retorno

De nada adianta
Ter medo de olhar para baixo
Eu olho muitas vezes
E toda vez que faço isso
Me vem ao rosto
Um sorriso
Extremamente cínico!



Eu tinha tanta ceteza,
Que tudo seria para sempre
Que demorei a perceber
Que o tempo passa rápido,
E a passagem do tempo,
Tem um alto custo,
Pois nos obriga a deixar
Coisas preciosas no caminho
Não há como carregar
Tudo até o final
Corre-se o risco
De se deixar para trás
Coisas importantes
Que não podem ser buscadas
Em que ponto da vida
Ficou a tua inocência?
E a tua juventude
Ainda está contigo?
E a tua infância?
Deixaste a criança sozinha,
Ou ela caminha contigo,
Zelando por tua inocência e juventude?


A pescaria estava boa
Eu estava sozinho
Fiquei até mais tarde
A lua veio me atrapalhar
Com seu reflexo
Na superfície ondulada
Da água
Que agora estava calma
Fiquei olhando, meio bobo
Até que um peixe
Quebrou a calmaria
Tirei o anzol da água
Para poder observar
Mais um pouco,
Lembrei de ti
Acho que gostarias
De estar ali também
Olhando uma cena tão simples,
Que os loucos
Com alma,
Como nós,
Dão valor...


Não vou me agarrar à vida
Como um cachorro
Que morde um trapo velho
Lutando ferozmente
Para arrancá-lo
De um mendigo bêbado

Não quero fazer coisas
Que me levem
A caminhos que depois
Sinta vontade de voltar

Viver não é voltar
Viver não é chegar
A lugar algum
É um não chegar
Um não querer chegar
Não somente por não chegar

Que sentido a vida teria
Se esse medo
Nos tirasse a coragem de ir?

topo     50


NATAL

Novamente é Natal
Pouca gente percebe,
Todos comemoram
Sem ao menos
Saber o quê
Não quero nenhum presente
Nem votos de boas festas
Nem festas
Nem fogos...
Gostaria de olhar
No rosto das pessoas
Todos os dias do ano
E ver que o Natal
Realmente aconteceu
Há 1997 anos atrás
No coração de todo mundo
E que se parasse
De comemorar
O nascimento de Jesus
Com tamanha hipocrisia!



Não vou retribuir
Teus ataques injustos
Tuas desconfianças
Tua ingratidão,
Com algo desse tipo
Acho que é isso
Que te irrita,

Eu não sou assim
Não sou muito de perdoar
Coisas tão tolas
Como as que tens feito,
Por isso te agradeço
Pois descobri
Que posso mudar


Quero te pedir um favor,
Não cresças
Não tens que crescer,
Eu sim, mas tu não...

Se isso acontecer,
Quem vai me lembrar
De coisas dos tempos
Em que éramos um só?

Podes rir quando quiseres
Embora eu nem sempre te entenda
Mas, não tenha receio de sorrir,
Quem vai ser considerado louco
Sou eu...

Se a dor estiver forte,
Podes chorar no teu canto
Eu agüento firme
Ninguém vai perceber

Quando o medo
Se aproximar de nós...
Segure a minha mão
Vamos vencê-lo juntos...

Peço-te novamente,
Não cresças,
Pois,
A quem mais eu poderia
Estar falando essas coisas
Nessa hora
A não ser
Comigo mesmo?


Desculpe-me
Não quis incomodar
Continuo não querendo,
Meus problemas
Se somariam aos teus
Qua já são tantos...
Não espere tanto de mim
Pois continuarás
A decepcionar-te
Com coisas que não entendes
Que não te explicarei;
Somente pense
Que teus julgamentos
São precipitados,
Não vou me defender
Pois vejo neles
Acima de tudo
Amor
Sei que errei
Mas o erro foi meu,
Não quis incomodar
Desculpe-me

Posso perceber
Que estou partindo
No momento em que estava
Me conformando em ficar
Entrei num corredor sombrio
Rumo ao desconhecido
Não vou olhar para trás
Nem por um segundo
Mesmo se pudesse voltar
Continuaria andando,
Se me forçassem a voltar,
Começaria a correr...

Procurei equilíbrio
Mas caí na correnteza
Das águas calmas
Que afogam
E tiram a graça
De lutar
Contra o mais forte


Andei perdido e sem sorte
Num mundo desconhecido
Gastando minhas forças
Em batalhas desiguais
Lutando sem êxito
Até ser derrotado

O que sobrou
É um nome gravado
Numa lápide que escavei
Numa terra amaldiçoada
Onde enterrei
Meu coração

Esse nome
Que o tempo
Está apagando
Foi a causa da morte
Daquele traidor
Que sepultei
Onde ninguém
Possa encontrá-lo



Evolução

Como eu me sinto feliz
Por pertencer
À essa raça maravilhosa
De seres humanos
Que aprende muito
Com os erros anteriores,
Antigamente haviam
Os senhores brancos
De escravos negros
Estes, trabalhavam
Até suas forças
Se esgotarem,
Dormiam em senzalas,
Todos juntos,
O seu trabalho
Era pago com comida
Não muita,
Não mais ou pouco menos
Que a suficiente...
Estava tudo errado,
Essa situação
Não podia continuar
Do modo que estava,
Evoluímos muito
Desde então,
O primeiro passo
Foi a generalização
Agora, homens, mulheres, crianças...
Brancos, negros, índios, asiáticos...
Qualquer um serve!
Depois, descobriu-se um limite,
Para que não trabalhassem
Muito mais do que isso.
Um passo importante
Foi o de individualizar a senzala
Para que não hajam rebeliões...
Também se fez
Com que os escravos, digo, operários
Acreditassem que eram livres
Sendo assim
Não há porque fugirem...
E quase todos
Com poucas exceções
Compraram televisões
Agora, pensamos por eles
Do modo que quisermos
Mas, não vá pensar
Que somos cruéis
Pagamo-lhes mensalmente
Um salário justo
Acho que isso
Foi o mais incrível
E nos trouxe maior economia,
Pois agora,
Nos desobrigamos
De dar-lhes comida!



Após tanto tempo
Ainda somos estranhos
Podes ter certeza
Que não te amarei
Por gratidão
Procuro outros motivos
Mas, quando acho algum,
Tu o destrói
Sem a menor piedade,
Ainda não desisti
Mas estou me convencendo
Que não preciso te amar
Porque não queres,
Porque amar alguém como eu
Afetaria tua perfeição;
Temo aprender
A lutar com as tuas armas
E no supremo momento
Em que eu me livrar
Da tua tirania
Não conseguir
Nem agradecer


Certa vez
Tive um desejo
No mínimo estranho
Desejei ter
Alguma doença
Que fosse
Me levando aos poucos
Não contaria a ninguém
Sofreria calado
E o fim chegaria
E nem mesmo
No último momento
Deixaria de sorrir
Não por falsidade
Nem por angústia
Talvez, simplesmente
Por suportar morrer
Por suportar viver
Para apenas,
Naquele momento
Poder insultar,
Esse mundo maldito
Com aquilo
Que nunca conseguiu
Tirar de mim
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Como tripulantes
Da nave espacial Terra
Temos feito
Muitas besteiras
Não há como
Isentar-se de culpa
A raça humana
Travou uma luta
Contra a natureza,
Se a vencermos
Certamente
Teremos perdido,
Dessa forma
Ao se pensar num fim
Para o planeta
Seria razoável admitir-se
Que ele já teria passado
Há muito tempo
Da metade
Do seu tempo de vida
E que pouquíssimo tempo
Lhe, ou nos restaria


Deus permitiu ao homem
Muitas descobertas
Muitos avanços
Em vários sentidos
Alguns perigosos
Outros fascinantes
Muitos indevidos
Mas não foi permitido
Que se mexesse
Em algumas coisas,
Como o tempo,
Que segue seu ritmo
Não avança mais rápido,
Nem retrocede,
Apenas passa,
Nos atropela
E nos faz ver
De maneira incontestável,
Embora simplista,
Quem está no controle!


É muito difícil
Pensar em viver
Tendo em mente
A idéia de não sofrer
Coisas ruins acontecem
Enquanto se vive
Se está sujeito
Ao sofrimento
Não é ser pessimista
Pensar dessa forma
Mas sim, realista
É certo que
Só não irei
Ao enterro dos meus pais
Se eles forem ao meu
Coisas boas também hão de vir
Mas não me causam
Sentimentos tão fortes
Antes de acontecerem
Talvez, porque sejam
Menos reais
Mais incertas


Não consigo te ver
Como uma inimiga
Embora às vezes
Tente fazê-lo,
Fostes muito importante
Para caber apenas
Em uma saudade
Em uma lembrança,
Uma parte de mim
É um pouco de ti
Não sei como
Isso aconteceu
Mas, não sou mais o mesmo
Conheci a angústia
Mas antes disso
Aprendi o amor
Agora,
Estou me acostumando
A conviver
Com essa mistura
Que quase sempre
É amarga


Teu perfume
Ainda está no ar
Tua imagem
Não me deixa em paz
Tuas lembranças
Estão na memória
A saudade está forte
Fiquei só com ela
As lembranças,
Fazem parte dessa dor
Não ficou desafeto
Nem amor
Só saudade
Essa dorzinha no peito,
Que me faz sorrir,
E sentir saudade
De tempos passados
De alguém que veio,
Ficou um pouco,
E agora
É passado,
Embora presente


Uma das grandes lições
Que tu me ensinastes
Foi a de sorrir
Após beber
Um copo de cólera
Tu mesmo
Me oferecestes muitos
Foi essa a tua lição,
Os que a vida
Tem me oferecido
Demoram a passar pela garganta
Pois, diferente dos teus
São imprevisíveis...


Numa noite dessas
Ao olhar para o céu
Avistei uma estrela
Não sei como se chama,
Mas, dei-lhe teu nome
Por parecer muito contigo
Pela distância que nos separa
E nos torna desconhecidos,
Mais  eu de ti
Do que ela de mim,
Sei que vou esquecê-las
Simultaneamente
E quando ouvir esse nome
Talvez eu lembre
De olhar à noite
Para uma certa estrela
(Que está ao lado
do Cruzeiro do Sul)
E sorrir
Para aquela estrela
Que não tem
Culpa de nada


Hoje eu me sinto
Como um peixe fisgado
Que, após lutar ferozmente,
Perdeu,
Não desistiu
Foi bravo
Lutou até o fim de suas forças,
Mas perdeu
Nada pode salvá-lo
Tudo o que poderia ter sido
Apenas.
Poderia ter sido
O que não deu muito certo
Não vai ter reparos
Muita coisa
Vai ficar incom...........


Em noites estreladas
Aguardo o silêncio
E olho para o céu
Procuro uma estrela
Uma estrela qualquer
E penso que ela
Está ali há muito tempo
E que por muito tempo
Vai continuar,
Naquele mesmo lugar,
Tento olhar para ela
O máximo de tempo possível
São momentos
Em que não penso em nada
Em que não penso em ti
Parece absurdo,
Mas está dando certo,
Estou me acostumando


Gritei aos quatro ventos
Que não mais te amava
Todos me responderam
A uma só voz
Em tom ensurdecedor
Que era mentira
Perguntei-lhes o que fazer
Disseram-me:
- Seja sincero!
Enchi os pulmões
E gritei
Que ainda te amava
A resposta foi o silêncio
Olhei em todas as direções
E nada pude ver
A não ser o vazio
Novamente o vazio
Somente o vazio
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Ainda não consegui
Entender nosso fim,
Precisei escalar
Os paredões da incerteza
Para no topo encontrar
Aquilo que eu procurava,
Algo que me desse
Alguma resposta
Ao chegar lá em cima
Vi que a incerteza
Era uma linda flor
Que nada pôde esclarecer
Somente me disse
Que no fundo do vale
Passava um rio
O rio da consciência
Resolvi saltar,
Durante a queda
Pude ver que a incerteza
Ficava cada vez menor...
Mergulhei num rio
De águas cristalinas
Que não pôde
Devolver-me a razão
Nem a mais bela cascata
Pôde fazê-lo...
Precisei desagüar
No oceâno do esquecimento
Para tentar esquecê-la
Não consegui,
Nadei até meus braços se cansarem
Foi um esforço inútil
Como tudo que tenho feito
Para tentar ter paz
Avistei uma ilha
A ilha da solidão
Essa ilha é tão pequena
Que não cabe mais ninguém aqui
Percebi que tinha sido seguido
Meu coração ensangüentado
Atraiu um tubarão faminto,
Mas ainda não a quero
Já que ela não me alcançou
Ainda não quero
Ir ao seu encontro,
A morte,
De que tenho sobrevivido?
O que me sustenta
É o ar que respirei
Enquanto caía no abismo
Quando passou por mim
A brisa da loucura,
Esta mensagem
Que lancei numa garrafa
Não é para causar
Sentimento de compaixão
A quem a encontrar
Não tenha pena de mim
Pois estou bem,
Ah, só agora percebo,
Como estou bem...


O mundo
É uma grande sala de espera
Viver é esperar
Não há como
Nào estar na fila
E eternamente
Não ser,
O próximo!


Uma poeira
Soprada de longe
De uma terra distante
Pousou sobre a minha alma
E como uma maldição
A paralisou,
Meu coração
Virou uma pedra,
Um vento ártico passou por mim
Antes que eu perdesse os sentidos...
...Quando acordei
O sol tinha desaparecido
Atrás das nuvens negras
Os trovões estão tão perto
A chuva está fria
E eu não posso voar!


O jogo não acabou
Ainda não fui derrotado
Não sou um perdedor
Não sou de me render
Posso levantar das cinzas
A qualquer instante
E tirar a vantagem
Que tens no momento
Que obtiveste
Por um descuido meu
Quando eu disse adeus
Foi só para ti
E não para a vida
Posso me reerguer,
Penso até em fazê-lo
Assim que achar um motivo
Mais forte
Do que viver por viver


Aprendi muito contigo
Só agora pude perceber
Que minhas certezas
Não mereciam muito crédito
Principalmente aquelas
Que dependiam de ti
Os meus pra sempre
São tão efêmeros
Tu eras
Um deles!
Ao menos aprendi
A estabelecer
Alguns nunca mais
Um pouco mais consistentes


O inverno chegou
A vida nessa época
Fica um pouco mais morta
Mais um verão
Ficou para trás
Deixamos com ele
Um pouco de vida,
O tempo está mais curto
Às vezes penso
Que só se passaram
Alguns segundos
E me pergunto:
Quantos ainda me restam?


Gosto dessas manhãs frias
Em que posso andar pelo campo
Esperar que o sol
Seque a relva amarelada
Pela geada que a castigou
O sol, embora seja o mesmo
Está diferente,
No verão ele não é tão aconchegante
Não sinto o mesmo prazer
Em soltar o corpo na grama;
No inverno,
É como se o espírito
Se livrasse  de sua prisão
E saísse voando,
Pois está leve
Deixou para trás sua mortalha,
Pode vê-la de longe
Deixou-lhe um sorriso no rosto
E se compadece,
De alguém que é triste,
E ao mesmo tempo tão feliz...
E prossegue seu vôo


Ei!
Pare!
Não quero ouvir mais nada
Pois nada tens
A me ensinar,
Tu que tudo sabes,
Porque eu
Que nada sei
Quero crescer
Do meu jeito
Não quero tuas teorias
Nem tão pouco teus vícios
Quero cometer todos os erros
Que possa depois assumir a culpa
E também com eles aprender
Não acho que devo
Seguir um modelo
Nem ser um dos muitos
Que há por aí


Me sinto feliz
Por estares ao meu lado
Porque nunca me abandonastes
Peço que perdoes
O meu egoísmo,
Divido contigo
Com enorme prazer
Todas as vitórias
Mesmo se assim não quiseres
Pois sem ti,
Não as alcançaria
Mas, quero que sejam só minhas
As derrotas,
Pois não as compartilho
Com ninguém...


Como é estranho,
Viver num mundo
Onde ser o melhor,
Não valeria a pena,
Lutando para apenas
Ser considerado bom,
Com um terrível medo
De um dia ser
Um dos que caíram
Na enorme vala comum,
Acordando desesperado
Às vezes,
Por ter sonhado
Que me tornara
Um dos imbecis
Que deixaram se convencer
Que são ruins
topo     20


As tardes
Agora são tristes
Ainda teimo em andar
Pelo bosque
Das tardes alegres
Na esperança de sentir
O prazer e a alegria
Que só eram possíveis
Quando andávamos juntos
Às vezes chego a pensar
Que estás ao meu lado,
Por alguns instantes
Volto a ser feliz
Mas a realidade
Me faz recordar
Que sempre estarás comigo
Apenas em meus pensamentos


Minha alma
Estava contigo
Agora está perdida
Negou-se a voltar
Ao corpo de um perdedor
Que não soube amar
Que não soube lutar
Pela mulher que amava,
Quando ela quis partir,
E que entregou
A própria alma
A quem não merecia


Não tente me entender
Não tente me explicar
Não tente me ajudar
Não tenha pena de mim
Não tente me consolar
Parece arrogância,
Pode até ser
Mas sou assim
Pode ser um erro...
Quem pode dizer?
Por favor,
Não tente me julgar!


Peço a ti que me perdoes
Por ser imperfeito,
Meu maior desejo
Era poder te proteger
De tudo o que pudesse
De alguma forma
Tirar-te o sorriso do rosto
Quisera eu, ter o remédio
Para todos os momentos
Em que a tristeza
Se aproximasse de ti
Ou a saudade pudesse
Fazer teu peito doer,
Ou quando a inveja,
A infâmia ou a calúnia,
Viessem a tornar-te infeliz
Mas, se eu pudesse ser o escudo
Para todas as amarguras do mundo,
Mesmo assim
Não conseguiria
Te proteger
De mim


Hoje eu me sinto
Como um náufrago
Que aprendeu
A sobreviver
À espera de auxílio,
Que se acostumou
Com a solidão
E que hoje,
Exatamente hoje,
Chegou à uma ilha,
Vendo que não estava só,
Voltou ao bote
E remou como louco
Para novamente
Encontrar-se sozinho
Longe de tudo
Longe de todos
Perto de si


O coração cicatrizou
A alma não
O tempo não foi eficaz
Para as duas doenças

Quero paz,
Foste a causa da loucura
Que não posso controlar
Pois ela me dominou
Sem que eu percebesse

Estou sofrendo,
De que me vale
Um coração
Se a alma ainda sente
Os efeitos colaterais da paixão

Não sei mais amar
Não posso odiar
Não sei se posso perdoar
Não consigo ter medo
De também não ser perdoado



Hoje eu me sinto
Como alguém
Que foi condenado
A cem anos de prisão
Por um crime
Que não cometeu,
Que tem hoje
Seu último dia
De liberdade
E nem mesmo assim
Saiu para ver o sol
Pela última vez,
Sem saber se deve
Chorar ou rir,
Não consegue
Desesperar-se
Por não ter vivido
Nem por não ter tentado,
E que só espera
O tempo passar
Pois o amanhã
Será um dia comum!


Não sinto
Que tenho vivido
Mas apenas,
Passado o tempo
Dia após dia
Numa angústia sem fim
Não tenho a explicação
Que tenho procurado
Para isso que sinto,
Estpu morrendo aos poucos
A pior das mortes
A tristeza tem me corroído
Tem tirado a graça
Que já senti em viver
Se não fosse
O amor que tenho por ti
E o prazer de estar
Com meus bons amigos
Já teria perdido essa luta
Mas ainda tenho um coração
Que não é perfeito
Mas ainda sabe amar...


Já fui forte
Achei que sabia viver
Tentei controlar
Muito do que se passava
À minha volta
Agora, sei que,
Não é assim que acontece,
Minha força é inútil
Nada sei sobre a vida
O caos tem me guiado
Por caminhos que me assustam
Tudo é incerto,
São caminhos sem volta
Que sigo ao lado
De uma companheira fiel
De quem não posso me perder
Pois é a única certeza
Que tenho em meu coração,
Que bate sem ânimo algum,
Feita apenas de ausência,
A solidão...


Hoje, eu queria dormir
Esquecer que lá fora
O mundo é mau,
Os homens em sua luta
Do poder pelo poder
Acham que podem
Viver sem Deus
E que podem pisar
Em quem quiserem
Para galgar degraus
Que os levem ao topo
Não quero lembrar
Que quem mais admiro e amo
Confessou estar com medo de viver
Não posso lembrar
Que, quem se levanta
Contra tudo e todos que oprimem
Têm os olhos perfurados por duas flechas
A da ganância e a da inconsciência,
E que muitos conseguem
O que estou tentando fazer
Ao menos uma vez
Mas, creio que não vou conseguir
Por não conseguir esquecer
Que o mundo
Deveria ser belo!
topo     10


Sem você, eu me perdi
Como uma folha
Na tempestade,
Vagando sem rumo
Ao sabor do caos
Guiado pela loucura e insensatez
Em meio ao absurdo
Que se tornou insuportável...

...Veio a calmaria
As nuvens, já não estão escuras
Flutuo levemente
Numa bruma suave
De sabor adocicado
Os travões se calaram
Só há silêncio
A quietude impera
Na masi completa solidão...
Após a angústia,
Veio o conforto
A paz!



Pare de me amar!
Não goste tanto de mim!
O que supões que eu seja,
Cairá por terra
Quando puderes abrir teus olhos
E ver que não sou perfeito
Que sou áspero e rude,
Que não sei amar
O que sentes por mim
Terá um gosto amargo
Quando a máscara cair
Quando o feitiço acabar
Quando puderes me ver
Como realmente sou
Se me amas,
Não tentes me transformar
Naquilo que esperas de mim
Prefiro chorar por não tê-la
Pois confesso,
Que também te amo muito,
Mas não quero
Que sofras ao meu lado
Sou covarde,
Tenho medo,
De machucar uma flor tão linda...
Que se destruiria,
Ao meu menor toque


Esse ano foi estranho
A primavera não veio
As árvores
Ainda estão secas
Os pássaros
Continuam mudos
Os ipês não estão amarelos
Nem roxos
Só secos
Os sabiás não cantaram
E já passou setembro
O clima ainda
Está frio e seco
Devo estar enganado
A primavera chegou
Tornou o mundo
Mais belo novamente
Mas, para mim
Continua inverno


Não estou triste,
Só porque partistes
Mas, por não teres ido só,
Deixando somente ruínas
Levastes contigo meus sonhos
Minha vontade de vencer
Minha vontade de lutar
Minha razão de viver
E o sentido de não fracassar,
Dentre os destroços que ficaram,
Est á o meu coração
Que, como um jarro velho
Atirastes contra uma parede
De frieza e solidão
Que me aprisionou
Onde hoje me encontro
Sentado num chão úmido,
Olhando para os restos
De amor, alegria e confiança
Todos aos cacos
Espalhados numa lama podre
De incompreensão...
Levastes ainda,
Minha coragem para recomeçar
Mas, não tens culpa
Pois levastes sem saber...
Para ser sincero,
Acho que não posso estar triste
Pois, para que algum sentimento
Se fizesse presente em meu ser,
Eu precisaria que ao menos
Um pingo de vida tivesse restado...
Fostes tão fundo,
Que feristes minha alma,
Nem tu poderias
Devolver-me o que perdi
Pois também perdestes muito,
O teu encanto e magia,
Que te faziam bela,
E me mantinham com vida...


Mas que belas poesias!
Sem rimas
Sem métrica
Nem floreios,
Real, dura e fria
Como o pior inimigo
A estética, para mim
Não conta muito
Vale mais o que eu sinto
Nem era para serem belas,
Que pode achar belo,
Alguém chorando
Por estar triste?


Tua partida
Foi um duro golpe
Que atingiu meu peito
A dor foi imensa
O pior foi não saber
O que estava acontecendo
Mas, uma brisa suave
Trouxe paz
Acalentou-me em seus braços
Ergueu-me do chão
Foi estranho ter a própria existência
Como areia fina,
Entre os dedos,
Se esvaindo,
Sem tentar fazer algo
Para prolongar o fracasso
Que para mim
Chamou-se: vida!


Lançou-se uma semente
Em solo fértil
Era uma bela semente
Que cresceria vigorosa
Gerando uma linda árvore
Que após flores,
Daria muitos frutos...
Mas alguém
Sem saber, por acaso
Colocou uma pedra
Onde ela deveria surgir
E a sufocou,
Assim foi o nosso amor
Que morreu
Cruelmente
E sem sentido
Antes mesmo,
De realmente existir


Depois que partiste
Fiquei mal
Por uns tempos
Mas já me acostumei
Com o teu fantasma
Me assombrando
Só às vezes,
Não sei qual deles
Está me atormentando,
O teu, ou o meu


Por muito tempo esperei
O que no fundo
Eu sempre soube
Que não ía acontecer
A não ser em meus sonhos
Onde eras minha
Só minha
De corpo e alma!
Hoje eu luto
Contra mim mesmo
Inconscientemente
Teimo em sonhar contigo,
Nem eu mesmo
Consegui me provar
Que não és minha